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Parto Normal não causa Paralisia Cerebral

Em 1862 um cirurgião ortopédico chamado William Little levantou a hipótese de que as causas de paralisia cerebral eram a prematuridade, a asfixia neonatal e o trauma obstétrico ao nascer. Naquela época, uma cirurgia cesariana expunha a mãe a risco de vida inaceitável, e as decisões sempre pesavam a favor da mãe e em detrimento do bebê, sendo que partos “normais” traumáticos, com extrações fetais difíceis eram aceitáveis para não expor a mãe a um grande risco de morrer numa cesariana. Hoje em dia, a cesariana é uma cirurgia (com riscos, como qualquer cirurgia) com menos riscos do que nos anos de 1800. Então estas práticas obstétricas de partos obstruídos, uso de manobras com fórcipes alto, com grandes traumas obstétricos foi abandonada. Entretanto, as causas propostas por um cirurgião ortopédico em 1862 (!!!) permanecem como conhecimento comum, um pouco por ignorância, um pouco por conveniência do sistema.

Para estudar um pouco sobre o assunto, vamos fazer duas definições, primeiramente:

1) Encefalopatia neonatal é uma síndrome clinicamente definida como função neurológica alterada nos primeiros dias de vida em um recém nascido a termo ou próximo do termo.

2) Paralisia cerebral é a permanência de função neurológica alterada, com sequelas motoras e/ou intelectuais na vida adulta.

Há mais de 30 anos iniciou-se uma jornada de pesquisas na área para tentar decifrar as causas de paralisia cerebral. Em 1986, Nelson e Ellenberg afirmaram que “apesar do otimismo inicial de que a paralisia cerebral iria desaparecer com o advento de avanços na assistência obstétrica e neonatal, aparentemente não houve uma redução consistente na sua frequência nas últimas décadas”. Trocando em miúdos, a incidência de cesárea aumentou e a incidência de paralisia cerebral não diminuiu como o esperado. (Hankins GDV, Speer M. Defining the pathogenesis and pathophysiology of neonatal encefalopathy and cerebral palsy. Obstet Gynecol 2003;102:628-36.)

Essas observações foram reforçadas por estudos após, demonstrando que:

– muitos casos de encefalopatia neonatal não resultam em paralisia cerebral.

– 70% dos recém-nascidos com encefalopatia neonatal não tiveram evidência de hipoxia intra-parto.

– a hipóxia pura intra-parto justificou apenas 4 % das encefalopatias moderadas a grave. (Badawi N, Kurinczuk JJ, Keogh JM, Alessandri LM, O’Sullivan F, Burton PR, et al. Intrapartum riso factors for newborn encefalopathy: the Western Australian case-control study. BJM 1998;317:1554-8)

Nem mesmo o Apgar (aquela nota que o bebê recebe com 1 e 5 minutos) parece ter tanta influência no desenvolvimento de paralisia cerebral. É estabelecido que crianças com Apgar menor que 3 no quinto minuto teriam mau desfecho neurológico a longo prazo. Mas alguns estudos mostram que 75% das crianças com paralisia cerebral apresentam escores de Apgar normais (Nelson KB, Ellenberg JH. Apgar scores as predictors of chronic neurologic disability. Pediatrics 1981;68:36-44). O mesmo estudo relata que escores de Apgar extremamente baixo no décimo quinto e no vigésimo minuto, sim, estão relacionados a uma disfunção neurológica subsequente.

Os maiores fatores de risco para encefalopatia neonatal são prematuridade extrema e restrição de crescimento intra-uterino abaixo do percentual 3 de peso. (Hankins GDV, Speer M. Defining the pathogenesis and pathophysiology of neonatal encefalopathy and cerebral palsy. Obstet Gynecol 2003;102:628-36.)

Esses fatos apoiam o desenvolvimento do conceito de que as causas de encefalopatia neonatal são heterogêneas, muitas iniciando no período pré-concepção ou anteparto, e que a paralisia cerebral resulta de uma composição genética em combinação com a exposição dos fetos aos ambientes intra e extra uterinos durante o desenvolvimento. O South Australian Cerebral Palsy Research Group descreveu alguns exemplos:

– a hereditariedade da mutação do gene MTHFR C677T quase dobra o risco de paralisia cerebral em recém-nascidos a termo.

– a combinação do gene MTHFR C677T homozigótico e da mutação heterozigótica do gene da protrombina aumenta o risco de quadriplegia em todas as idades gestacionais.(Gibson CS, MacLennan AH, Goldwalter PN et al. Associations between inherited thrombophilias, gestacional age, and cerebral palsy. Am J Obstet Gynecol 2005;193:1437.)

– a exposição perinatal ao vírus neurotrópico herpes do tipo B quase dobra o risco de paralisia cerebral. (Gibson CS, MacLennan AH, Goldwalter PN et al. Neurotropic viroses and cerebral palsy: population based case-control study. BMJ 2006;332:76-80.)

O American College of Obsterics and Gynecologist (ACOG) e a American Academy of Pediatrics declaram que “apenas com um entendimento mais completo das origens precisas da fisiopatologia da encefalopatia neonatal e da paralisia cerebral poderemos criar hipóteses lógicas para serem testadas e, assim, reduzir a ocorrência dessas.”

Resumindo, não sabemos as causas exatas (evidências apontam para uma grande contribuição gênica), porém, sabemos o que NÃO causa paralisia cerebral: o parto normal! Bem acompanhado, sem intercorrências e sem fatores predisponentes, o parto normal não pode ser considerado causa de paralisia cerebral.

Maneiras criativas e divertidas de anunciar a gravidez

A gravidez é um dos momentos mais importantes da vida de uma família. Um bebê a caminho é sempre uma grande novidade. E o anúncio da gravidez para o papai, a família e os amigos é o primeiro passo para celebrar a nova vida que está chegando, por isso deve ser especial.

Com um pouco de criatividade e muito carinho é possível tornar o anúncio da sua gravidez inesquecível e divertido para você e para quem você ama.  Você pode utilizar fotos, cartões, cópias do teste de gravidez. Independente da forma o importante é registrar este momento único e especial.

Confira algumas ideias legais e criativas para anunciar a sua gravidez para as pessoas que você gosta e guardar esse momento da forma como ele merece:

Distribuindo o ultrassom: diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras, portanto nada melhor que a primeira foto do seu bebê para anunciar a chegada de uma nova vida. Presentear seus familiares e amigos com cópias do ultrassom é uma das maneiras mais simples e clara de divulgar a todos a novidade.

Cartão de Dia dos Pais: uma maneira de anunciar a gravidez é presenteá-lo com um cartão de Dia dos Pais, além da opção de comprar o cartão, você mesma pode produzi-lo, dando um toque pessoal ao presente. Ao entregar o cartão deixe que ele entenda a notícia sozinho, se possível registre o momento e a reação do futuro papai.

Sapatinhos: uma representação visual bastante comum da gravidez são os pequeninos sapatos de bebê. Sozinhos ou combinados com os pés dos pais, sempre geram fotos delicadas e graciosas. Para renovar a ideia, invista em sapatos coloridos ou ainda que sejam iguais para todos os membros da família.

Placas de contagem: Ao utilizar placas de contagem dos membros da família é possível divulgar a gravidez através de uma foto delicada. A ideia é fácil de ser reproduzida, basta escrever em algum suporte (quadro, papel) a ordem dos filhos e o último deve representar o novo membro da família, sendo posicionado a frente da barriga da mãe.

Copos: uma outra forma de representar a chegada de um bebê é combinar duas xícaras e uma mamadeira, ou duas xícaras grandes e uma pequena. A ideia além de simples é fofa e fácil de ser reproduzida, basta escolher os copos ou xícaras, posicioná-los e fotografar. Para contar aos amigos e familiares é só fazer cópias e compartilhar a foto.

Varal de roupas: representar a chegada de um bebê através de roupinhas e sapatinhos é bastante comum, para renovar essa ideia é possível combinar a roupa do bebê com roupas dos pais e criar um varal com as roupas de todos os integrantes da família. Uma outra ideia é investir em camisetas personalizadas.

Câmera escondida: sem dúvidas espontaneidade é a palavra que define essa ideia. Esconder uma câmera e filmar a reação do futuro pai e dos futuros avós, tios e irmãos mais velhos é uma forma muito especial de guardar esse momento, além de render muitas risadas e emoção para quem assiste.

Fonte:

http://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Vida-de-gravida/fotos/2015/02/15-maneiras-criativas-de-anunciar-gravidez-em-fotos.html#foto-15

http://www.dicasdemulher.com.br/ideias-fofas-e-criativas-para-anunciar-a-gravidez/

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Sobre semanas e meses

As semanas de gestação correspondem a quantos meses? Essa é uma dúvida frequente. Em primeiro lugar, é preciso conhecer a idade gestacional com precisão. Sabemos com ótimas evidências científicas que uma ultrassonografia precoce contribui para melhorar o prognóstico da gestação. Isso ocorre porque a determinação precisa da idade gestacional para auxiliar na identificação dos distúrbios de crescimento fetal e suas causas.

Se o ultrassom precoce tiver uma diferença de menos de cinco dias da data da última menstruação, pode-se considerá-la para datação da gestação. Porém, se esta diferença for maior, deve-se considerar a idade gestacional medida no ultrassom.

A gestação dura EM MÉDIA 40 semanas. Mas se você for dividir 40 semanas por 4 (4 semanas em 1 mês), vai ficar parecendo que a gestação dura dez meses. Isso acontece porque, por convenção, a contagem da gestação começa da data da última menstruação e não do momento da concepção. Então, uma maneira fácil de calcular os meses da gestação é dividir as semanas por quatro, e considerar este como o mês que está se iniciando. Por exemplo, com 4 semanas, você está iniciando o primeiro mês. Com 32 semanas você está iniciando o oitavo mês, e assim por diante.

Entretanto, 40 semanas não é uma data específica para o nascimento do bebê, já que a gestação pode durar de 37 a 42 semanas. Recentemente, inclusive, os conceitos de gestação “a termo” foram revistos, da seguinte maneira:

37 sem a 38 sem + 6 dias = a termo precoce

39 semanas a 40 sem + 6 dias = termo completo

41 sem – 41 sem+ 6 dias= a termo tardio

Mais de 42 semanas= pós termo

Essa classificação é importante porque os bebês que estão a termo precoce têm mais complicações respiratórias (principalmente se nascem de cesárea), assim como os bebês a termo tardio necessitam de uma monitorização mais frequente.

Então, sem confusão com semanas e meses. O negócio é fazer um ultrassom bem cedo na gravidez para garantir a determinação da idade gestacional e esperar o tempo do bebê nascer, sem pressa!

Martin et al. Nat Vital Stat Report, 2006.
Goldenberg et al. Lancet, 2008.
Spong et al, JAMA, 2013.
Withworth et al, 2010. Cochrane Database Syst. Rev.

A importância da Consulta Pré-concepcional

Um pré-natal bem realizado é fundamental para a segurança da gestação. A maior parte das gestantes são gestantes de baixo risco, ou seja, necessitam apenas monitoramento de suas gestações e poucas intervenções. Entretanto, algumas intervenções podem ser realizadas no período pré-natal, de forma a assegurar uma gestação ainda mais tranquila. Esta consulta chama-se CONSULTA PRÉ-CONCEPCIONAL, e é realizada quando a paciente está se preparando para a gravidez, antes mesmo de estar gestante.

Idealmente, a CONSULTA PRÉ-CONCEPCIONAL faz parte do pré-natal. Nesta consulta, o obstetra pode verificar a presença de fatores de risco modificáveis, por exemplo, baixo peso ou excesso de peso materno. Estas condições podem ser corrigidas antes da gravidez, pois aumentam o risco da mesma. Principalmente, a gestante com obesidade ou sobrepeso, possui maior risco de desenvolver diabetes gestacional, hipertensão, e de ter um bebê macrossômico (grande demais).

Outro fator analisado é o sedentarismo. Não é impossível que gestantes que não praticam atividade física possam iniciar com atividades bem leves durante a gestação. Porém, o mais adequado é que o hábito da prática de exercícios físicos seja desenvolvido antes da gestação, pois a atividade física traz inúmeros benefícios para a gestação.

Na consulta pré-concepcional, podem ser detectadas patologias que necessitam tratamento, como hipertensão arterial sistêmica ou diabetes mellitus. É fundamental que as gestantes que já eram portadoras de hipertensão ou diabetes antes da gravidez estejam em seu melhor controle da doença, para que o bebê possa se formar adequadamente. Também, algumas medicações utilizadas para essas patologias devem ser trocadas por outras, que não prejudiquem o futuro feto.

Deve ser feita uma revisão do esquema vacinal da futura mamãe. É importante que a gestante esteja imune às patologias que podem prejudicar o bebê, principalmente porque algumas vacinas não podem ser realizadas durante a gestação, como a vacina da rubéola e a da varicela, quando for o caso.

Um exame ginecológico completo é realizado, inclusive com coleta do exame preventivo do colo do útero (papanicolau), já que as patologias de mamas e colo de útero são bem tratadas fora da gestação.

Também é nesta consulta em que inicia-se o uso do ácido fólico para a prevenção de defeitos do tubo neural (neurológicos) do bebê, sendo que o ideal é que a paciente esteja usando ácido fólico pelo menos três meses antes de engravidar.

Finalmente, a revisão da história obstétrica prévia da paciente pode contribuir para um melhor planejamento da gestação. Muitas patologias são importantes para o planejamento, principalmente aquelas relacionadas a perdas fetais ou abortos de repetição.

Assim, com um planejamento adequado, a gestante pode seguir seu pré-natal e estará melhor preparada para uma gestação tranquila. Procure seu obstetra ANTES de engravidar! Você estará garantindo uma gestação mais saudável. Porém, caso você tenha sido presenteada com uma gravidez “surpresa”, saiba que quanto antes iniciar o pré-natal, melhor!

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O que é Fetoscopia?

A fetoscopia é uma modalidade cirúrgica. Seu objetivo é visualizar o feto no interior da cavidade amniótica. Isso é possível com a utilização da ultrassonografia associada à videolaparoscopia. Este método é muito utilizado para tratar problemas congênitos complexos, que podem complicar o parto ou que podem evoluir rapidamente após o nascimento, levando a significativa incapacidade ou morte.

A Fetoscopia é realizada utilizando-se um endoscópio de fibra óptica, o fetoscópio, que é inserido na cavidade uterina, tanto por via transabdominal (através do abdômen) ou via transcervical (através do colo uterino). O objetivo deste exame é visualizar o feto para obter amostras de tecido, ou realizar uma cirurgia no mesmo.

Algumas das anormalidades congênitas que podem ser tratadas por meio desta técnica incluem:

Transfusão entre gêmeos ou síndrome de transfusão feto-fetal

Quando os gêmeos são idênticos, pode ocorrer troca de sangue entre eles através da placenta que compartilham. Através da fetoscopia, é possível separar as conexões placentárias responsáveis pela troca de sangue.

Feto acárdico

Quando um dos gêmeos monocoriônicos (idênticos) é mal formado, e fica bombeando sangue para o outro, nesta situação existe o risco de sobrecarga cardíaca fetal do gêmeo sem malformações. A fetoscopia pode ser utilizada para fazer cessar essa sobrecarga e salvar o gêmeo saudável.

Brida amniótica

Ocorre quando a membrana que reveste internamente a “bolsa das águas” (membrana amniótica) se rompe no início da gestação, aprisionando um membro ou uma parte do feto. Isso pode levar a deformidades das mãos e pés, estreitamentos e, em casos mais graves, a amputação da parte fetal aprisionada. Nos casos de estreitamento do membro, quando se julga que a amputação é iminente, uma alternativa possível é cortar a membrana responsável pelo estreitamento através da fetoscopia.

Hérnia diafragmática

Quando o diafragma (membrana que separa o tórax do abdome) não se fecha, os intestinos, o estômago e o fígado podem “subir” para o tórax do feto, comprimindo seus pulmões. Isso pode comprometer o desenvolvimento pulmonar, levando a problemas respiratórios no momento do nascimento, e até à morte. A fetoscopia é o procedimento indicado em alguns destes casos, e tem o objetivo de melhorar o desenvolvimento pulmonar, com a colocação de um “balão” na traquéia do feto. A correção definitiva do diafragma será feita somente após o nascimento.

 

Fontes:

http://www.infoescola.com/exames-medicos/fetoscopia/

http://www.einstein.br/hospital/medicina-fetal/Paginas/procedimentos-terapeuticos-cirurgia-fetal.aspx

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Ressonância Magnética no Diagnóstico de Patologias Fetais

A Ressonância Magnética é um método não invasivo capaz de proporcionar um avançado diagnóstico em diferentes partes do corpo. Executado em aparelho com alta tecnologia, utiliza um intenso campo magnético para gerar as imagens. É um simples exame e que não emite radiação ionizante, preservando assim à saúde do paciente.

Durante o exame, sinais de radiofrequência são emitidos para o corpo que os reemite para o computador que converte em imagens. Depois disso, essas imagens são visualizadas e analisadas pelo médico radiologista.

No estudo “Avaliação crítica dos benefícios e limitações da ressonância magnética como método complementar no diagnóstico das malformações fetais”, foram estudadas 40 mulheres entre 15–35 semanas de gestação com diagnóstico de anomalia fetal durante o exame de ultrassonografia. Estas pacientes foram encaminhadas para o estudo complementar com ressonância magnética. As indicações para o estudo da ressonância magnética fetal foram: anomalias do sistema nervoso central, do tórax, do abdome, renais, esqueléticas e tumores.

A avaliação pós-natal incluiu a revisão das imagens de ultrassonografia e ressonância magnética, o acompanhamento do nascimento, exames laboratoriais, radiológicos e necropsia. Os resultados mostraram que os estudos complementares com ressonância magnética fetal trouxeram informações adicionais em 60% dos casos estudados. Nesta análise os benefícios da ressonância magnética fetal foram: ampliação da avaliação global, aumento do campo de avaliação, maior resolução tecidual pelo uso de sequências, e avaliação em pacientes.

Segundo o estudo a técnica de ressonância magnética é de grande valia no diagnóstico de malformação congênita, podendo ser perfeitamente utilizado para este fim, sem trazer grandes riscos para o feto ou para a gestante.

A técnica de ressonância magnética pode ser usada, sem maiores riscos, como uma importante ferramenta para o diagnóstico de malformação fetal, tendo como principais vantagens à obtenção de imagens de boa resolução, visando especialmente o diagnóstico de anomalias do sistema nervoso central, do tórax, do abdome, renais, esqueléticas e tumorais.

Fonte: http://www.posgraduacaoredentor.com.br/hide/path_img/conteudo_542b1a665f564.pdf

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Doulagem baseada em Evidências

Apesar de ser um tema “popular” hoje em dia, percebo que ainda existem muitas questões nebulosas a respeito do trabalho das doulas. Pouco por desconhecimento, pouco por preconceito. Então vamos lá, esclarecer o assunto, baseados em evidências!

Sabe-se que a forma como uma mulher vê sua experiência de parto está relacionada a diversos fatores, entre eles o suprimento de suas expectativas, a qualidade do apoio prestado pela equipe e a capacidade de participar das decisões tomadas a respeito do nascimento. Esses fatores influenciam na mensuração da dor, das medidas para alívio da dor e, consequentemente, nas intervenções obstétricas.

O principal fator supridor destas necessidades durante o trabalho de parto chama-se “suporte contínuo ao trabalho de parto”, e pode ser exercido por diversos profissionais da equipe que atende ao parto. Basicamente, consiste em manter alguém SEMPRE à disposição da parturiente, atendendo e ajudando a suprir suas necessidades de conforto físico (posicionamento, banhos, massagens), suporte emocional à paciente e à família/parceiro, informações a respeito de procedimentos que podem ser realizados, e facilitação da comunicação entre a parturiente e a equipe.

Apesar de o suporte contínuo ao trabalho de parto poder ser exercido por vários profissionais, existe uma pessoa treinada para atender a essas necessidades. Esta pessoa é a DOULA. A DOULA é, então, uma acompanhante de parto. É a profissional cujo foco de atenção está no bem-estar físico, emocional e psicológico da parturiente. Ela não substitui o familiar, não realiza exame físico, não escuta o coração do bebê, não indica parto ou “desindica” cesárea. Ela está presente apenas para facilitar as coisas. Para a gestante. Mas, acreditem, facilita para todo mundo!

A ansiedade durante o trabalho de parto aumenta os níveis de catecolaminas e a descarga adrenérgica pode ter efeitos indesejados sobre o trabalho de parto e o feto. Uma importante metaanálise de 2013, com mais de 15.000 pacientes constatou que o apoio contínuo durante o trabalho de parto tem diversos benefícios:
– redução da taxa de cesarianas
– redução na necessidade de medicações para alívio da dor
– redução no uso de anestesia regional
– redução na duração do trabalho de parto
– aumento das taxas de parto normal
– redução de baixas notas de Apgar no quinto minuto
– redução nas experiências de parto negativas
(1) Existem estudos que comprovam que o apoio de uma DOULA no parto pode ter inclusive benefícios financeiros (considerando a diminuição na taxa de cesáreas, diminui-se os custos atribuídos ao excesso de cesarianas). (2) Outros estudos relatam que o apoio de uma DOULA pode aumentar os índices de aleitamento materno exclusivo. (3) O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) e a Sociedade de Medicina Materno-Fetal (SMFM) reconhecem que “uma das ferramentas mais efetivas para melhorar os desfechos de parto e nascimento é a presença contínua de uma pessoa de apoio, como uma DOULA.” (4) Portanto, ter uma DOULA é uma das decisões mais efetivas que a gestante pode tomar a respeito do seu parto, independente de o nascimento terminar em parto normal ou em cesárea.

A gestante estará emocional e psicologicamente mais tranquila, o que beneficia a todos os personagens desta vivência!

Fontes bibliográficas: 1) Hodnett ED, Gates S, Hofmeyr GJ, Sakala C. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev 2013. 2) Kozhimannil KB, Hardemann RR, Attanasio LB, et al. Doula care: birth outcomes and costs among Medicaid beneficiaries. Am J Public Health 2013. 3) Kozhimannil KB, Hardemann RR, Attanasio LB, OBrien M. Doula care supports near universal breastfeeding initiation among diverse low-income women. J Midwife Womens Health 2013. 4) http://www.acog.org

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Por que o Ultrassom Morfológico do 1º Trimestre é tão importante?

Considerado por alguns o exame mais importante da gestação, o ultrassom morfológico do primeiro trimestre pode ser realizado entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias de idade gestacional. A melhor época é entre 12-13 sem. Existem evidências científicas irrevogáveis de que o ultrassom no primeiro trimestre melhora o prognóstico da gestação (Cochrane Database Syst Rev 2010. Ultrassound for fetal assesssment in early pregnancy.). A grande importância do morfológico está no fato de que, no primeiro trimestre, é possível realizar inúmeras intervenções capazes de modificar o prognóstico da gravidez. Vamos falar um pouco sobre as funções deste exame!

1) Demonstrar a vitalidade fetal
Sabe-se que quinze por cento das gestações terminam em aborto. Normalmente por causas genéticas, abortos acontecem principalmente no primeiro trimestre e a detecção precoce auxilia no planejamento de decisões. Se os pais desejarem, é possível saber se o bebê tinha alguma síndrome genética através do exame de cariótipo fetal. Essa informação influencia no cálculo de risco numa futura gestação.

2) Confirmar a idade gestacional através do comprimento crânio-nádegas
A melhor maneira de determinar a idade gestacional é a medida do tamanho do bebê, da cabeça até as nádegas. Esse valor, chamado de CCN ou CCC (comprimento crânio-caudal) pode ser medido somente no primeiro trimestre. A partir do segundo trimestre, o ultrassom não consegue ser tão específico para determinar a idade gestacional. Isso é particularmente importante quando acontece alguma intercorrência na gravidez, como restrição de crescimento fetal, diabetes, pré-eclâmpsia, etc. Nestes casos, o parto pode precisar ser antecipado, e o conhecimento da idade gestacional é fundamental para evitar a prematuridade, se possível, ou fazer intervenções que protejam o bebê dos danos da prematuridade.

3) Determinar o número de fetos e a corionicidade de gestações múltiplas
Corionicidade é o número de placentas na gestação gemelar. Simplificando, os gêmeos podem ter cada um sua placenta (dicoriônicos) ou dividirem a mesma placenta (monocoriônicos). Essa informação faz a diferença na gestação gemelar, e geralmente só pode ser obtida no primeiro trimestre. Os gêmeos monocoriônicos e dicoriônicos estão sujeitos a complicações distintas na gravidez, e o obstetra necessita saber a corionicidade da gestação para estar preparado para pesquisar, prevenir e tratar estas complicações.

4) Identificar algumas anomalias fetais
Através do exame detalhado do feto é possível identificar algumas anormalidades: acrania/anencefalia (anormalidade cuja interrupção da gestação é permitida por lei, já que é letal depois do nascimento – sempre lembrando que quanto mais cedo for realizada a interrupção, menores os riscos para a mãe), holoprosencefalia, defeitos da parede abdominal (gastrosquise, onfalocele e anomalia de body-stalk), displasias renais, algumas anomalias na bexiga (mega bexiga), hérnia diafragmática, etc. Algumas destas anomalias podem ser tratadas intra-útero.

5) Realizar rastreamento para aneuploidias
Existem algumas estruturas que devem ser avaliadas com uma técnica específica no exame morfológico do primeiro trimestre: a transluscência nucal (medida da nuca do bebê), a presença do osso nasal, o fluxo da válvula tricúspide do coração, o fluxo de sangue no ducto venoso, no abdome do feto, e a frequência cardíaca fetal. Todos esses dados, obtidos por um profissional certificado e colocados em um fluxograma da Fetal Medicine Foundation, fornecem um risco numérico para síndromes genéticas.

6) Cálculo do risco de pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia é a maior causa de morbimortalidade materno-fetal no mundo! No exame morfológico é possível realizar um cálculo do risco de pré-eclâmpsia grave (a partir do Doppler das artérias uterinas). Quando esse risco é maior que 1:200 está indicado o uso de AAS (ácido acetilsalicílico) em dose baixa para prevenir a pré-eclâmpsia grave. COM GRAU DE EVIDÊNCIA A!!! Essa intervenção diminui em OITENTA PORCENTO a incidência de pré-eclâmpsia grave! Isso significa uma diminuição tão grande nos riscos maternos e fetais que o exame seria custo-efetivo só pelo impacto da profilaxia de pré-eclâmpsia!

Então, procure um profissional certificado pela Fetal Medicine Foudation, faça o ultrassom morfológico do primeiro trimestre entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias, procure seu obstetra e garanta uma gestação saudável e tranqüila!

Fonte: Medicina Fetal, Febrasgo,

Cochrane Database Syst Rev, Prenat Diag 2011; 31:66-74. Nicolaides K. H. et al. Prediction of early, intermediate and late preeclampsia foram maternal facções, biophysical and biochemical markers at 11-13 weeks.

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Diabetes Gestacional

Diabetes gestacional é uma intolerância aos carboidratos adquirida durante a gestação. Durante uma gestação normal os hormônios produzidos pela placenta fazem com que a gestante tenha mais dificuldade em digerir os carboidratos do que uma mulher não grávida. Porém, em algumas gestantes, essa dificuldade de digerir carboidratos pode ser ainda maior, chegando a ser chamada de diabetes gestacional.

Antigamente, o rastreio para o diabetes gestacional era realizado através da glicemia de jejum na primeira consulta de pré natal e, se esta estivesse acima de 85 mg/dl (entre 85-110 mg/dl), era realizado um teste de tolerância por volta das 24 semanas de idade gestacional, após a ingesta de 75g de glicose.Se esse resultado fosse maior que 140 mg/dl, era diagnosticada a diabetes gestacional.

Porém, em 2008 saiu uma meta análise (que é a melhor evidência científica), com mais de 25.000 gestantes, numa revista médica muito bem conceituada (estudo HAPO, no New England Journal of Medicine), que mudou os conceitos sobe diabetes gestacional. Este estudo relacionou os níveis médios de glicemia materna em pacientes sem diabetes com a incidência de desfechos adversos (maus desfechos para a mãe e para o bebê), e concluiu que o aumento da glicemia média aumenta linearmente junto com o aumento de desfechos adversos, sem um ponto de corte específico!

Com isso, as entidades internacionais (o Ministério da Saúde no Brasil ainda não reconhece esse rastreio) passaram a recomendar que o ponto de corte utilizado para diabetes fosse diminuído, de forma a diagnosticar mais pacientes, para prevenir mais desfechos adversos.

Em 2010, A Americam Diabetes Asociation, através da International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG) passou a recomendar o rastreio universal, ou seja, para todas as pacientes, com glicemia de jejum no primeiro trimestre (a partir de 92 mg/dl diagnóstico de diabetes gestacional, mesmo no primeiro trimestre), e teste de tolerância com 75g de glicose para todas as gestantes que não foram diagnosticadas com diabetes gestacional no primeiro trimestre, sendo que o teste de tolerância é de três pontos: jejum, 1h e 2 h após a ingestão de 75 g de glicose. Os limites são 92(jejum), 180 (1h) e 153 (2h).

Converse com seu obstetra!

Fontes bibliográficas: Diabetes Care 2010, 33(3):676-682. N Engl J Med 2008; 358:1991-2002.

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A Prática de Exercício Físico na Gestação

Atualmente já é consenso entre os profissionais da área da saúde sobre a importância da gestante ser ativa. Várias entidades conceituadas mundialmente preconizam o exercício físico para a promoção da saúde, com o American College of Sport Medicine (2005) e o American College of Obstretricians and Gynecologists (2005), ambos concordam que as mulheres saudáveis, com uma gestação que se desenvolva normalmente, não precisam parar de praticar os exercícios físicos.

Alguns benefícios que os exercícios físicos proporcionam as gestantes;
– Melhora na circulação sanguínea;
– Melhora do equilíbrio muscular;
– Redução do inchaço;
– Alivio nos desconfortos intestinais, incluindo a obstipação (prisão de ventre, dificuldade constante ou eventual da evacuação das fezes.);
– Diminuição das câimbras nas pernas;
– Fortalecimento da musculatura abdominal, e
– Facilidade na recuperação pós-parto.

O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG) em 2002 publicou novas recomendações para a prática de exercícios, e orienta que todas as mulheres sem contra-indicações deveriam participar de exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular durante a gestação, tanto as que já praticavam alguma atividade como as mulheres sedentárias.

As gestantes com restrições obstétricas e médicas devem ser cuidadosamente avaliadas, antes das recomendações que são feitas sobre a prática de exercícios físicos durante a gravidez. Neste sentido, apontamos a importância do diálogo entre o educador físico e o obstetra, com objetivos dos exercícios serem prescritos com segurança ou mesmo contra-indicados.

É importante, antes de qualquer prescrição, avaliar a gestante. Muitas gestantes chegam com a liberação por escrito de seu médico que acompanha o pré-natal. Essa é uma questão que merece especial atenção, pois o médico libera a gestante, porém quem fará a prescrição dos exercícios e responderá pela sua conduta é o educador físico responsável. Antes de prescrever os exercícios, é necessário conhecer o histórico (anamnese) da gestante com objetivo de respeitar a sua individualidade biológica. Quando o exercício físico é realizado corretamente durante a gravidez, respeitando as limitações da mulher, irá proporcionar uma melhor qualidade de vida no período da gestação.

Stela Maris Stefanello Stefanello
Professora da UNIJUI – Curso de Educação Física – Ijuí/RS– CREF / RS – 001276
Mestrado em Envelhecimento Humano – UPF – Passo Fundo/RS